ANO 1 - Nº 01 - Março / 2005

 

Governança Familiar e
Governança Corporativa

No mundo moderno a governança familiar e a governança corporativa estão profundamente integradas, uma vez que a separação do que é patrimônio familiar e o que é patrimônio corporativo, tendem a se identificar nos sócios, detentores do capital.
Os princípios adotados e explicitados na última edição do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa se baseiam na transparência, eqüidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Estes valores são pilares de ambos os processos.
O direito à propriedade é de se fazer representar, o que contribui a essência do conceito da empresa familiar, em que cada um dos membros da família detém, ou virá a deter, parcela significativa ou não, da sociedade.
Para se exercer o direito à propriedade, com as suas obrigações e as suas responsabilidades, é essencialmente um processo de aprendizado individual e coletivo. Portanto, os membros oriundos da família, gestores ou não, precisam ser adequadamente preparados para esta missão; precisam ser transformados de acionistas em administradores e precisam ser, antes de tudo, elevados à condição de responsáveis pela boa conduta no processo gerencial considerando, nesse aspecto, a sua capacidade e sua formação.
Para que este treinamento seja funcional e deixe de ser teórico, é essencial que os acionistas tenham definido a missão da empresa, os seus valores e sua ética na condução dos negócios que, além de refletir as necessidades da empresa, também incorporam as bases que sustentam a família.
Podemos e devemos afirmar que é somente quando houver uma única percepção desta missão e destes valores que a gestão da empresa e da família se completam, permitindo, assim, a implantação do Conselho de Administração e de um Conselho de Família. É a combinação destes mecanismos que asseguram a perfeita integração entre a administração e a propriedade e entre o patrimônio e a gestão.
Para se atingir este objetivo, é necessário que os acionistas incorporem nas suas atividades uma visão de futuro, primordial na essência da gestão moderna. É necessário que os mesmos saibam separar - não abdicar - de sua individualidade, valorizando os aspectos comuns à sociedade e ao patrimônio comum.
Cabem, aos promotores da boa governança, compreender que as empresas familiares não devem e não podem deixar de lado a essência familiar da sociedade, mas cabe às empresas familiares que buscam sua profissionalização usar as boas práticas de governança corporativa, incorporar os princípios e viver a gestão de seu patrimônio de acordo.
A propriedade exige acima de tudo sócios preparados e estes são as soluções da continuidade que a empresa familiar busca para perpetuar a sua existência. Sócios preparados são os melhores Conselheiros de seu próprio Patrimônio.

René Werner