ANO 1 - Nº 02 - Agosto / 2005

 

Sucessão: Fatores Críticos
na Governança Familiar
e Corporativa

 

    Suceder um empreendedor é uma tarefa difícil para qualquer sucessor, seja ele um membro da família ou mesmo um profissional designado para este cargo.
    Suceder significa assumir a responsabilidade pela gestão patrimonial de um lado e assumir a liderança da família no que tange a propriedade sendo a somatória do patrimônio tangível e intangível. Um processo que assegura continuidade da missão e os valores da família , assim como criar condições para que o crescimento patrimonial, de forma que a tônica do esforço do empreendedor seja continuado na geração que segue.
Para entendermos como o sucessor deve atuar, o mesmo deve considerar no processo os seguintes aspectos críticos:

  • A Relação Familiar
  • A Natureza do Patrimônio
  • As expectativas de sua geração e das gerações subsequentes
  • Os mecanismos jurídicos estabelecidos pelo empreendedor

    No que abrange a relação familiar é essencial destacar os aspectos do relacionamento interpessoal da família, o histórico dos processos que nortearam a relação entre ele e os seus irmãos (parentes em geral), uma vez que a sua legitimidade como sucessor é um processo que o mesmo tem de adquirir uma vez que não é suficiente ser ungido a posição, ela tem de ser conquistada gradativamente.
    Quando a sucessão ocorre no âmbito de um patrimônio tangível é essencial que o sucessor seja capaz de demonstrar a sua competência e a mesma é avaliada constantemente por todos os que dependem do processo. Se o ditado popular de que um pai é capaz de prover para seus filhos, mas um filho é incapaz de prover para seus pais (e seus irmãos) fica claro o desafio que é manter a continuidade do crescimento patrimonial. Um processo que exige uma postura flexível e contínua na melhoria do processo de Governança Corporativa integrando mecanismos de gestão que asseguram a transparência e os processos de equidade patrimonial. Sempre vale lembrar que se o empreendedor era um ser que se considerava dono do patrimônio, o sucessor é um sócio no patrimônio com um mandato claro e definido pelos integrantes que compartilham este patrimônio.
    Uma das responsabilidades, muitas vezes relegada a um plano secundário, é considerar que na segunda geração o sucessor é essencialmente um gestor guardião para que as gerações subseqüentes possam usufruir do patrimônio constituído na primeira geração. A visão de futuro que implica na elaboração de um plano estratégico multi-gerencial é um processo essencial que deve ser assumido elaborado e executado. Não é uma prerrogativa é uma necessidade. Representa a essência da longevidade patrimonial.
    Freqüentemente os empreendedores deixam aos sucessores estruturas jurídicas complexas em que buscam determinar regras de utilização patrimonial. Estas regras devem ser sempre suficientemente flexíveis para que o sucessor possa, baseando-se em princípios e menos em regras concretas, assumir as mesmas e implementá-las.
    Para que haja sucesso efetivo no processo de transição é essencial que a sucessão seja iniciada quando há de fato uma efetiva negociação entre as gerações. Herdar regras impostas é um dos melhores mecanismos na geração de conflitos; herdar valores e princípios é uma das melhores formas que o sucessor possui para poder ser um continuador da obra.
    Assim sendo recomendamos que o processo seja iniciado o mais cedo possível de forma que haja efetivamente tempo para que o empreendedor possa transferir seu conhecimento e o sucessor aprender o significado de sua responsabilidade.
    Sucessão é um processo temporal, onde o gestor é um fator crucial para que se possa gerenciar a transição.

René Werner